Doclisboa Cinema
The 24th edition of Doclisboa brings documentary cinema to Lisbon for 10 days, with national and international premieres, a retrospective dedicated to Lino Brocka and tributes to names such as Vittorio De Sica and Orson Welles.
Full details Documentary cinema takes centre stage in Lisbon for 10 days, at the 24th edition of Doclisboa. The programme, taking place in several venues, features various national and international premieres and a set of works by established names and new talents in filmmaking, offering a unique and contemporary look at the world. The festival opens with the film Guerrilha no Asfalto, by Edgar Pêra, based on the book of the same name by Manuel Ricardo Sousa, in which the accounts of a former FP-25 operative intersect with his memories of the 1980s. A narrative built between archives, fiction and artificial intelligence.
The retrospective of this edition, Lino Brocka, Matem o Artista Nacional, pays tribute to the Filipino director Lino Brocka (1939, 1991), one of the most influential in Asian cinema. His work spans more than 60 films and is closely tied to the social and political reality of the Philippines. During the dictatorship of Ferdinand Marcos, Brocka was a central figure of cultural resistance and a defender of freedom of expression, who used cinema as an instrument of denunciation. His films speak of the inequalities, political tensions and desires of a society under construction. The curation of the retrospective is by Filipino artist and filmmaker Khavn de la Cruz, together with the festival's programming team and the Cinemateca Portuguesa.
The Portuguese films programmed traverse history, music, literature, thought and memory. Amílcar Cabral is revealed, through his writings, letters and archives, in Amílcar, by Miguel Eek. The daily life of the Casa do Artista is portrayed in Casa do Artista, Não é Permitido Envelhecer, by Solveig Nordlund. The experiences of the city of Lisbon are rethought in O Nosso Último Filme sobre Lisboa, by the collective Left Hand Rotation. Also standing out among the Portuguese productions are Neste Quarto, by Ana Rocha de Sousa, which follows fado singer Carminho on a tour of Japan; and Carta a Uma Jovem Escritora, by Marta Pessoa, which introduces five Portuguese writers whom the filmmaker considers "unjustly forgotten": Olga Gonçalves, Graça Pina de Morais, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio and Maria Amélia Neto.
Figures who are part of the history of cinema are usually highlighted at Doclisboa. This year, Vittorio De Sica is one of the honoured names in Vittorio De Sica, Staging Life, by Francesco Zippel, a documentary offering an intimate portrait of the Italian director and actor, a precursor of neorealism. The great master and visionary Orson Welles is also presented in Orson Welles: The One-Man Band, a 1995 film directed by Oja Kodar and Vassili Silovic, which brings together rare footage of Welles's unfinished projects. The documentary offers a look at the ideas, dreams and never-completed short films of one of the most important filmmakers in the history of cinema. Actress Juliette Binoche makes her directorial debut with In-I In Motion, a film in which she revisits her collaboration with dancer and choreographer Akram Khan. In 2007, the two created In-I, a bold work that toured the world. Through previously unseen footage, Binoche reflects on the creative process and her personal transformation. Turner Prize-winning Scottish artist Douglas Gordon is also the central subject of Douglas Gordon by Douglas Gordon.
Show original (Portuguese) O cinema documental está em destaque em Lisboa durante 10 dias, na 24.ª edição do Doclisboa . O programa, que acontece em diversas salas, exibe várias estreias nacionais e internacionais, um conjunto de obras de nomes consagrados e de novos talentos na realização, que oferecem um olhar único e contemporâneo sobre o mundo. O festival abre com o filme Guerrilha no Asfalto , de Edgar Pêra, baseado no livro homónimo de Manuel Ricardo Sousa, onde os relatos de um antigo operacional das FP-25 se cruzam com as suas memórias dos anos 1980. Uma narrativa construída entre arquivos, ficção e inteligência artificial. A retrospetiva desta edição, Lino Brocka , Matem o Artista Nacional , homenageia o realizador filipino Lino Brocka (1939, 1991), um dos mais influentes do cinema asiático. A sua obra engloba mais de 60 filmes e está intimamente ligada à realidade social e política das Filipinas. Brocka foi, durante a ditadura de Ferdinand Marcos, uma figura central da resistência cultural e um defensor da liberdade de expressão, que usou o cinema como instrumento de denúncia. Os seus filmes falam das desigualdades, tensões políticas e desejos de uma sociedade em construção. A curadoria da retrospetiva é do artista e cineasta filipino, Khavn de la Cruz, em conjunto com os responsáveis da programação do festival e da Cinemateca Portuguesa. Os filmes portugueses programados atravessam a história, a música, a literatura, o pensamento e a memória. Amílcar Cabral é revelado, através dos seus escritos, cartas e arquivos, em Amílcar , de Miguel Eek. O quotidiano da Casa do Artista é retratado em Casa do Artista , Não é Permitido Envelhecer , de Solveig Nordlund. As vivências da cidade de Lisboa são repensadas em O Nosso Último Filme sobre Lisboa , do coletivo Left Hand Rotation. Das produções portuguesas destacam-se ainda: Neste Quarto , de Ana Rocha de Sousa, que acompanha a fadista Carminho numa digressão pelo Japão; e Carta a Uma Jovem Escritora , de Marta Pessoa, que dá a conhecer cinco escritoras portuguesas que a cineasta considera “injustamente esquecidas”: Olga Gonçalves, Graça Pina de Morais, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio e Maria Amélia Neto. Figuras marcantes que fazem parte da história do cinema são habitualmente destacadas no Doclisboa . Este ano, Vittorio De Sica é um dos nomes homenageados em Vittorio De Sica , Staging Life , de Francesco Zippel, documentário que faz um retrato íntimo do realizador e ator italiano, precursor do neorrealismo. Também o grande mestre e visionário Orson Welles é apresentado em Orson Welles: The One-Man Band , filme de 1995, realizado por Oja Kodar e Vassili Silovic, que reúne imagens raras de projetos inacabados de Welles. O documentário oferece um olhar sobre ideias, sonhos e curtas-metragens nunca terminadas de um dos mais importantes cineastas da história do cinema. A atriz Juliette Binoche estreia-se na realização com In-I In Motion , filme em que revisita a sua colaboração com o bailarino e coreógrafo Akram Khan. Em 2007, os dois criaram o In-I , um trabalho ousado que percorreu o mundo. Por meio de imagens inéditas, Binoche reflete sobre o processo criativo e a sua transformação pessoal. Também o artista escocês Douglas Gordon, vencedor do Turner Prize , é tema central de Douglas Gordon by Douglas Gordon , de Finlay Pretsell, documentário que revela a sua relação turbulenta com o mundo e a criação. David Graves, filho do falecido cineasta William Graves, apresenta Once Upon a Time in Harlem , que recua até 1972, a um encontro entre membros sobreviventes do Harlem Renaissance, movimento cultural e intelectual afroamericano que surgiu nas décadas de 1920 e 30. Duas mulheres com vozes inesquecíveis são o foco de duas obras: Elza , de Eryk Rocha, sobre Elza Soares, artista brasileira cujo talento cruzou gerações; e Kate Bush , The Timeless Genius , de Sonia Gonzalez, que revisita os primeiros anos e a carreira de uma artista que marcou e continua a influenciar a cultura pop . Nino , A Film About Nino Rota , de Walter Fasano, revisita a vida e obra do compositor italiano Nino Rota. A música é também o centro de dois filmes portugueses: Esta Vida de Marinheiro , de Paulo Miguel Antunes, sobre o percurso de João Aguardela; e Nha Balila , Dentu d’Algem , de Inês T. Alves e André Xina, que acompanha a lenda viva do Batuku, Nha Balila. A literatura atravessa vários filmes da programação. Destaque para Siri Hustvedt , Dance Around the Self , de Sabine Lidl, onde é narrada a vida da escritora Siri Hustvedt, nome maior do pensamento contemporâneo, que foi companheira de Paul Auster. De salientar também o Filme do Meio , de Margarida Gil, que dá a conhecer o processo criativo e de amizade entre dois grandes nomes da literatura portuguesa, Maria Velho da Costa e Armando Silva Carvalho, e Carta a José Bragança de Miranda , de Edmundo Cordeiro, que oferece um retrato do filósofo. De referir ainda Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie , de Alex Gibney, filme sobre o atentado sofrido pelo autor do livro Os Versículos Satânicos , inspirado em memórias autobiográficas. Programação aqui. Doclisboa documentário festival.