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Doclisboa

Doclisboa

Cinema

Quinta-feira, 15 de outubro · até 25 10

A 24.ª edição do Doclisboa traz o cinema documental a Lisboa durante 10 dias, com estreias nacionais e internacionais, uma retrospetiva dedicada a Lino Brocka e homenagens a nomes como Vittorio De Sica e Orson Welles.

O cinema documental está em destaque em Lisboa durante 10 dias, na 24.ª edição do Doclisboa . O programa, que acontece em diversas salas, exibe várias estreias nacionais e internacionais, um conjunto de obras de nomes consagrados e de novos talentos na realização, que oferecem um olhar único e contemporâneo sobre o mundo. O festival abre com o filme Guerrilha no Asfalto , de Edgar Pêra, baseado no livro homónimo de Manuel Ricardo Sousa, onde os relatos de um antigo operacional das FP-25 se cruzam com as suas memórias dos anos 1980. Uma narrativa construída entre arquivos, ficção e inteligência artificial. A retrospetiva desta edição, Lino Brocka , Matem o Artista Nacional , homenageia o realizador filipino Lino Brocka (1939, 1991), um dos mais influentes do cinema asiático. A sua obra engloba mais de 60 filmes e está intimamente ligada à realidade social e política das Filipinas. Brocka foi, durante a ditadura de Ferdinand Marcos, uma figura central da resistência cultural e um defensor da liberdade de expressão, que usou o cinema como instrumento de denúncia. Os seus filmes falam das desigualdades, tensões políticas e desejos de uma sociedade em construção. A curadoria da retrospetiva é do artista e cineasta filipino, Khavn de la Cruz, em conjunto com os responsáveis da programação do festival e da Cinemateca Portuguesa. Os filmes portugueses programados atravessam a história, a música, a literatura, o pensamento e a memória. Amílcar Cabral é revelado, através dos seus escritos, cartas e arquivos, em Amílcar , de Miguel Eek. O quotidiano da Casa do Artista é retratado em Casa do Artista , Não é Permitido Envelhecer , de Solveig Nordlund. As vivências da cidade de Lisboa são repensadas em O Nosso Último Filme sobre Lisboa , do coletivo Left Hand Rotation. Das produções portuguesas destacam-se ainda: Neste Quarto , de Ana Rocha de Sousa, que acompanha a fadista Carminho numa digressão pelo Japão; e Carta a Uma Jovem Escritora , de Marta Pessoa, que dá a conhecer cinco escritoras portuguesas que a cineasta considera “injustamente esquecidas”: Olga Gonçalves, Graça Pina de Morais, Maria Cecília Correia, Alice Sampaio e Maria Amélia Neto. Figuras marcantes que fazem parte da história do cinema são habitualmente destacadas no Doclisboa . Este ano, Vittorio De Sica é um dos nomes homenageados em Vittorio De Sica , Staging Life , de Francesco Zippel, documentário que faz um retrato íntimo do realizador e ator italiano, precursor do neorrealismo. Também o grande mestre e visionário Orson Welles é apresentado em Orson Welles: The One-Man Band , filme de 1995, realizado por Oja Kodar e Vassili Silovic, que reúne imagens raras de projetos inacabados de Welles. O documentário oferece um olhar sobre ideias, sonhos e curtas-metragens nunca terminadas de um dos mais importantes cineastas da história do cinema. A atriz Juliette Binoche estreia-se na realização com In-I In Motion , filme em que revisita a sua colaboração com o bailarino e coreógrafo Akram Khan. Em 2007, os dois criaram o In-I , um trabalho ousado que percorreu o mundo. Por meio de imagens inéditas, Binoche reflete sobre o processo criativo e a sua transformação pessoal. Também o artista escocês Douglas Gordon, vencedor do Turner Prize , é tema central de Douglas Gordon by Douglas Gordon , de Finlay Pretsell, documentário que revela a sua relação turbulenta com o mundo e a criação. David Graves, filho do falecido cineasta William Graves, apresenta Once Upon a Time in Harlem , que recua até 1972, a um encontro entre membros sobreviventes do Harlem Renaissance, movimento cultural e intelectual afroamericano que surgiu nas décadas de 1920 e 30. Duas mulheres com vozes inesquecíveis são o foco de duas obras: Elza , de Eryk Rocha, sobre Elza Soares, artista brasileira cujo talento cruzou gerações; e Kate Bush , The Timeless Genius , de Sonia Gonzalez, que revisita os primeiros anos e a carreira de uma artista que marcou e continua a influenciar a cultura pop . Nino , A Film About Nino Rota , de Walter Fasano, revisita a vida e obra do compositor italiano Nino Rota. A música é também o centro de dois filmes portugueses: Esta Vida de Marinheiro , de Paulo Miguel Antunes, sobre o percurso de João Aguardela; e Nha Balila , Dentu d’Algem , de Inês T. Alves e André Xina, que acompanha a lenda viva do Batuku, Nha Balila. A literatura atravessa vários filmes da programação. Destaque para Siri Hustvedt , Dance Around the Self , de Sabine Lidl, onde é narrada a vida da escritora Siri Hustvedt, nome maior do pensamento contemporâneo, que foi companheira de Paul Auster. De salientar também o Filme do Meio , de Margarida Gil, que dá a conhecer o processo criativo e de amizade entre dois grandes nomes da literatura portuguesa, Maria Velho da Costa e Armando Silva Carvalho, e Carta a José Bragança de Miranda , de Edmundo Cordeiro, que oferece um retrato do filósofo. De referir ainda Knife: The Attempted Murder of Salman Rushdie , de Alex Gibney, filme sobre o atentado sofrido pelo autor do livro Os Versículos Satânicos , inspirado em memórias autobiográficas. Programação aqui. Doclisboa documentário festival.

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