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Tashi Dorji ⟡ Erica Dawn Lyle

Outro 12€

Terça-feira, 13 de outubro · 21:00

Galeria Zé dos Bois Bairro Alto · Lisboa

Uma noite de improvisação livre em que Tashi Dorji apresenta a sua visão singular da guitarra, moldada pelo punk, pelo free jazz, pelos blues e pelos experimentalismos, acompanhado por Erica Dawn Lyle.

Nascido no Butão e a residir em Asheville, na Carolina do Norte, desde 2000, Tashi Dorji engenha uma visão e gesto à guitarra que, mais do que surgida de um suposto vácuo, absorve ensinamentos e histórias na vastidão do tempo e da topografia do instrumento para os torcer num assomo seu: de uma adolescência energizada na electricidade do punk e do metal, para daí se abrir ao free jazz, experimentalismos mais ou menos académicos e à improvisação livre como que a vislumbrar um horizonte longínquo e (potencialmente) inesgotável de inspirações que se enredam e dissipam na sua própria música. Aparecido meio de chofre ali em 2009 com uma série de improvisações acústicas registadas em cassete, Dorji deixou logo marca autoral numa série de passagens pela guitarra abençoadas pelo fantasma de Derek Bailey onde a liberdade descortinava um centro melódico maleável e maleado pela dolência dos blues, pelas vistas do fingerpicking, escalas anómalas, pelo silêncio. Tecituras nascidas do engenho e da sensibilidade em articular um ataque feroz e o gesto gracioso, que foram sendo alternadas entre a guitarra eléctrica e acústica ao longo de uma discografia imensa, pejada de colaborações com gente tão díspar como Susie Ibarra, Shane Parish, Aaron Turner ou Alex Zhang Hungtai; amostra pouco significativa dos meandros por onde tem cravado a sua identidade, num espírito aglutinador e, nesse processo, sempre generoso. A solo, mapeia frequentemente esses instintos, entre improvisações mais caseiras, documentos ao vivo e álbuns mais delineados para a Drag City, como o recente low clouds hang, this land is on fire . Assente numa visão sempre politizada, de resistência, o sucessor da ferocidade táctil que emanava das ‘torch songs’ de Restless retrai-se num discurso pleno de lirismo e espaço, de notas e acordes melancólicos que reverberam no silêncio, numa aura que relembra a poética de Loren Connors mas que é de uma entrega e visão de Dorji. BS.