Superfan apresenta ‘My Piledriver Heart’
Outro 13€
Quinta-feira, 12 de novembro · 21:00
Kali Flanagan, agora como Superfan, apresenta ao vivo o seu projeto indie-rock e o novo álbum em Lisboa.
Prodígio? Kali Flanagan começou a fazer música aos 11 anos. Aos 15 assinou um contrato discográfico. Durante anos apresentou-se apenas como Kali e era um queridinho junto de uma população adolescente, fazia canções que ressoavam , e ainda ressoam, claro , com a sua idade e eram também uma porta de entrada para um indie-rock semiamadurecido que todos procuramos numa certa idade. Em 2024, apesar de andar a abrir para o Strokes e Weyes Blood, ainda mantinha um trabalho numa loja de discos em Los Angeles. Quase cliché de outros tempos, mas um que não só lhe fica bem como é completamente justificado. Kali Flanagan ainda é muito novo. Foi também em 2024 que decidiu mudar de nome, assumir-se como Superfan, mudança que acompanhou Tow Truck Jesus , que lhe deu outra dimensão. My Piledriver Heart será o segundo capítulo dessa missão. O que mudou? Para já a voz. Parece estranho ir por esse caminho, mas ao longo destes anos uma coisa que tem mudado em Kali é a voz, dores de se começar muito novo, mas também de a descobrir, de como encaixa na sua música e de como pode evoluir com ele, neste processo. É, ao contrário do que possa parecer, uma vantagem, um músico a crescer com as suas canções e nós, deste lado, a crescer com ele e com elas, as canções. Mesmo que já tenhamos crescido demais, nunca é demais crescer, sobretudo com melodias e palavras que parecem estar a descobrir uma forma de existir no cenário indie-rock actual. Já se conheciam algumas delas de My Piledriver Heart , como a belíssima “Aperion (Fantasy Football)”, editada há cerca de um ano, que já era um grande indicador da mudança que aí vinha: composições revestidas de arranjos, com uma maior sombra, não necessariamente negra, mas algo mais pesado, como se encobrir um pouco a voz fosse um desejo, num gesto entre timidez e escolha estilística. Kali murmura muito, o que não é novo, mas a sua voz em My Piledriver Heart ouve-se como um contínuo lamento, um que não encalha em becos e segue em frente, em modo carrossel, à procura de uma miragem de felicidade. “Joy” termina o álbum e não é um acaso. É mais um passo neste processo de amadurecimento. Kali Flanagan como Superfan ainda não é músico maduro, mas é um músico formado. A procura da sua voz, hoje, é um processo, um luxo a que se pode dar porque encara-se como estando à frente dos outros. Não por arrogância, mas por vantagem. Aproveite-se a vantagem de o poder ver ao vivo em 2026. AS.