Encontros na Academia Música ao vivo
Um programa de câmara dedicado às cordas graves — viola, violoncelo e contrabaixo — que reúne a Ciaccona de Bach na transcrição de Ichiro Nodaira, o Divertimento de Albrechtsberger, o Adagio da Sinfonia n.º 8 do jovem Mendelssohn e o Concerto de Brandemburgo n.º 6, o único dos seis sem violinos.
Detalhes completos Quando os violinos se silenciam, as cordas graves assumem a palavra: é este o fio que atravessa o programa, reunindo obras de três séculos em torno da viola, do violoncelo e do contrabaixo. A Ciaccona da Partita n.º 2 , BWV 1004, escrita por Bach em 1720 para violino solo e aqui apresentada na transcrição de Ichiro Nodaira, desloca o original de Ré menor para Sol menor, transferindo para a viola um ciclo de variações sobre baixo ostinato que figura entre as construções contrapontísticas mais densas do período barroco. Segue-se o Divertimento em ré maior de Johann Georg Albrechtsberger, teórico do contraponto no final do século XVIII, mais tarde professor de Beethoven, escrito para duas violas e contrabaixo, uma formação invulgar que retira a viola do papel subalterno de preenchimento harmónico e lhe confia o protagonismo melódico. Do jovem Mendelssohn, o Adagio da Sinfonia n.º 8 , composta aos treze anos sob a orientação de Carl Friedrich Zelter, que o iniciou no legado barroco: a página, escrita para cordas divididas, habita o registo grave num tecido sombrio que se vai tornando cantável. Fecha o programa o Concerto de Brandemburgo n.º 6 , único dos seis concertos sem violinos, em que as duas violas concertantes se. destacam como protagonistas, com o baixo contínuo a assegurar o fundamento harmónico. Quatro obras, uma mesma escuta: quem normalmente acompanha toma agora as rédeas da interpretação.