Inês Zenha

Domingo, 25 de outubro – Domingo, 7 de fevereiro

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Em Águas Turvas , Inês Zenha (Lisboa, 1995) cria uma paisagem fluida e imersiva onde identidade, desejo e corporeidade se entrelaçam num processo contínuo de transformação. Partindo de um vocabulário simultaneamente poético e político, a artista propõe uma viagem subterrânea através de sistemas , do corpo e das infraestruturas humanas , em que a água, os fluidos corporais e a argila se tornam os fios condutores dessa transformação. Este «tornar-se líquido» constitui o eixo conceptual e formal da exposição. Na sua recusa em serem fixados, classificados ou contidos, os líquidos espelham as dinâmicas da experiência queer, marcadas por noções de negociação, transição e resiliência. A água deixa, assim, de ser apenas uma metáfora para assumir o papel de protagonista, atravessando e ligando as diferentes obras. O espaço expositivo transforma-se numa espécie de gruta pós-humana , simultaneamente templo e esgoto , onde tubagens e sistemas hidráulicos se cruzam com gestos performativos, convertendo a exposição num organismo vivo que respira, transborda e digere. Neste ambiente poroso, o público deixa de ser um observador passivo para participar numa coreografia de fluxos, sendo convidado a sentir em si o movimento rítmico da água. Quarta a segunda, das 10h às 18h. escultura instalação pintura.

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