SAINT ETIENNE

Domingo, 21 de março

Lisboa ao Vivo, Lisboa

As despedidas, esperadas ou não, trazem sempre latente a comoção e a melancolia duma era que se encerra. O fim dos Saint Etienne foi há muito anunciado, para que nos pudéssemos preparar e para provar que é possível dizer adeus a dançar. Ao longo de uma carreira longa e bem-sucedida, os Saint Etienne construíram a sua sonoridade em torno de uma exímia arquitetura sonora, alcançando notoriedade logo com o seu álbum de estreia, Foxbase Alpha (1991). A astúcia com que o grupo lê a cultura pop e tendências musicais manteve-se ao longo de toda a discografia e levou-os a mergulhar na folk britânica em Tiger Bay (1994), a dispensar a eletrónica em favor das sonoridades quentes do indie pop sueco com Good Humor (1998), e a entregar um álbum conceptual de harmony pop com Tales from Turnpike House (2005). A banda encontrou o equilíbrio entre a nostalgia e as sonoridades futuristas, até decidir fazer uma viragem inesperada rumo ao ambient pop: I’ve Been Trying to Tell You (2021), assente em samples, e o seu companheiro mais orientado para as vozes, Night (2024). Após dois discos que levaram a sonoridade dos Saint Etienne mais longe do que alguma vez havia chegado, a banda regressou a um território mais familiar em International (2025), o seu canto do cisne. O resultado foi um álbum que remeteu fortemente para o passado do grupo, com uma mistura inconfundivelmente Saint Etienne de pérolas para a pista de dança, baladas melancólicas e elegantes canções pop.

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