A febre dos tempos

Sexta-feira, 18 de junho · 21:00

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Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa

Em 1938, um grupo de artistas exilados em Paris, em fuga da perseguição nazi e do fascismo, tentou montar um espetáculo. Fièvre du Temps , com coreografia de Julia Marcus e Ludolf Child, e libreto de Jean Yachec Vinot, tratava a inquietude do seu tempo: a corrida ao armamento, a industrialização, a crise da bolsa financeira, a aceleração do ritmo da dança... A música, escrita pelo compositor Fernando Lopes-Graça, também ele em exílio do regime de Salazar, traduzia essa agitação. A peça teve uma apresentação única em ensaio público, mas, por razões desconhecidas, nunca chegou a estrear. Quase um século depois, a Europa volta a ser palco da ascensão do fascismo, de guerra, de políticas de discriminação, e da proliferação do ódio a pessoas consideradas estrangeiras. Partindo da partitura de Lopes-Graça para dois pianos, intocada desde a apresentação única em Paris, de resquícios encontrados sobre a peça e do percurso dos artistas que fizeram parte deste episódio perdido da história, A Febre dos Tempos (propositadamente no plural) pergunta de que modo o corpo pode ser entendido como eixo de uma temporalidade turbulenta, desdobrada entre conflito e resistência, memória e devir.

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