Existe um momento, no caminhar, em que a paisagem deixa de ser algo que se contempla de fora para se tornar a própria substância do olhar. É dessa vertigem lípida que nasce Geografias da Memória , a nova exposição de Stefanie Pullin. Recusando a documentação fria ou a mera representação naturalista, o trabalho de Pullin transforma a pintura num espaço mental e corporal, uma cartografia viva onde a memória, a percepção e o território se entrelaçam. Cada tela é o resultado de uma sedimentação lenta e de uma consciência do tempo: o encontro entre a imersão nas paisagens da África do Sul, a vegetação densa da sua Guatemala natal e a luz íntima das florestas de Portugal, onde hoje vive e trabalha. Contempla-se aqui não apenas a vivência individual, mas a pegada invisível daqueles que habitaram estes lugares no passado e daqueles que virão no futuro. Inspirada pelos arquétipos de Carl G. Jung e pelas paisagens invisíveis de Italo Calvino, Geografias da Memória não pede uma contemplação distante. É um convite sensorial para abrandar o ritmo do corpo e aceitar habitar a complexidade do que cresce. As obras de Stefanie Pullin lembram-nos, com uma delicadeza radical, que nunca estivemos separados da natureza: somos a mesma luz, a mesma matéria e a mesma memória que a pintura vai, devagar, fazendo nascer. Segunda a sexta, das 11h às 20h, sábado e domingo, das 11h às 19h. pintura.