Conhecido por transformar paisagens em superfícies carregadas de matéria, memória e tempo, o artista britânico Jeremy Gardiner abre um novo capítulo da sua trajetória com Topografias em Barro ( Topographies in Clay ), exposição que estará patente na Galeria Objectismo, de 17 de outubro a 21 de novembro de 2026. Pela primeira vez, Gardiner transfere para a cerâmica a pesquisa sobre paisagem, geologia e passagem do tempo que desenvolve há décadas na sua pintura. O resultado são 18 placas de parede em cerâmica, inspiradas em duas regiões inglesas reconhecidas como Patrimônio Mundial pela UNESCO: Costa Jurássica, no sudoeste da Inglaterra, e Lake District, em Cumbria. A passagem para a cerâmica não representa uma rutura com a trajetória de Jeremy Gardiner. Ao contrário: leva para uma nova materialidade questões que atravessam a sua produção há décadas , a transformação da paisagem pelo tempo, a memória dos lugares e a relação entre história, relevo e superfície. Gardiner é conhecido por investigar aquilo que poderia ser definido como uma “geologia da paisagem”. Nas suas pinturas, constrói superfícies por meio de sucessivas camadas de materiais, entre eles madeira, Jesmonite (um tipo de gesso) e tinta, que depois raspa, lixa e desgasta. O processo faz um paralelo com a própria erosão da terra e com os vestígios deixados sobre a paisagem pela passagem dos séculos, pelos fenómenos naturais e pela ação humana. Na cerâmica, essa relação torna-se ainda mais física. Texturas, relevos, cores e sobreposições evocam formações rochosas, falésias e territórios transformados pela água, pelo gelo e pela erosão. A superfície deixa de funcionar apenas como suporte e adquire volume, espessura e presença. Se nas pinturas de Gardiner a paisagem é construída por camadas, no barro essas camadas tornam-se literalmente matéria. Mais informação aqui. Terça a sábado, das 10h às 13h e das 15h às 19h. Segunda-feira, com hora marcada. cerâmica.