Margaret Tait (1918-1999) é uma das figuras mais misteriosas do cinema de vanguarda do século XX. Longe dos centros culturais e intelectuais, Tait desenvolveu, ao longo de cinco décadas e de forma completamente independente, uma extensa e singular filmografia que pode ser comparada com a obra de Jonas Mekas ou Marie Menken. Na Escócia, entre Edimburgo e o arquipélago de Orkney (nasceu em Kirkwall e todo o seu trabalho preserva uma relação telúrica com esse território), o seu percurso é definido pela relação com os lugares e como estes são habitados (por figuras presentes e ausentes). Contudo, nada há de paisagístico nos seus filmes. O que lhe interessa é o particular, são as pessoas (e também os animais, as plantas e os objetos) que constituem um lugar, que o vivificam. Os seus filmes são dedicados às pequenas coisas, aos gestos precisos, às cores do jardim, à forma como se rasga a terra, como escorre a chuva, como soam os pássaros, como se percorre uma estrada, como se habita uma casa, como as crianças brincam no campo, como se desembrulha um rebuçado melado. Cineasta e poeta, a sua obra trabalha a partir de formulações como o filme-poema, o diário filmado, o documentário lírico, o filme-retrato e a animação abstrata feita diretamente em película. Rodados sempre (ou quase sempre) em 16mm, este Ciclo faz questão de , sempre que possível , apresentar os filmes no seu suporte original, preservando assim a sensibilidade material que a realizadora aprimorou ao longo dos anos. (…) Cinemateca Portuguesa. Programação aqui. ciclo Margaret Tait.